A Cervejaria Paraense (Cerpa), fabricante tradicional de cerveja controlada pela família Seibel, contratou a consultoria Ejafac para fazer a reestruturação da empresa. A consultoria participou da reestruturação de empresas como Bombril, Copel Colchões, Frigorífico Frivasa, Lacca Móveis e Grupo Beto Carreiro.

A intenção inicial da Cerpa é encontrar um parceiro para fortalecer a distribuição de cervejas em todo o país, bem como a produção de suas marcas. “A crise provocada pela covid-19 diminuiu em 30% o nosso faturamento. Estamos reorganizando alguns dos pilares do negócio para que possamos costurar novas parcerias”, disse em nota Helga Jutta Seibel, president da Cerpa.

A Cerpa foi fundada em 1966 em Belém pelo alemão Konrad Karl Seibel. A empresa produz 1,5 milhão de hectolitros de cerveja por ano, emprega 400 pessoas e gerou no ano passado um faturamento aproximado de R$ 2 bilhões. Dona das marcas Cerpa Export, Cerpa Prime, Tijuca, Draft Sound, Gold e Nevada, além de refrigerantes e do energético Amazon Power, a empresa vende hoje 80% da sua produção na região Norte. Outros 10% são vendidos no Nordeste e o restante é distribuído para o resto do país.

 

“O Sudeste é a maior região consumidora de cerveja, mas hoje transportar a bebida de Belém para o Sudeste gera um custo proibitivo”, disse Elias Azevedo, CEO da Ejafac e executivo responsável pela reestruturação da Cerpa. Azevedo disse que realiza mudanças na cervejaria na área comercial e em controles internos enquanto busca parceiros para ampliar sua capacidade produtiva.

De acordo com ele, a Cerpa mantém negociações em estágio já avançado com o novo parceiro, cujo nome é mantido em sigilo. O Valor apurou que a empresa mantém negociações com a Ambev, maior cervejaria do país e que já fez parceria com a Cerpa para distribuição de bebidas entre 2010 e 2016. Procurada, a Ambev, que está em período de silêncio, não quis comentar o assunto.

Analistas de mercado consideram que uma parceria com a Ambev pode ser alvo de questionamentos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por concentração de mercado. A Ambev fechou o ano passado com 60,8% de participação no mercado de cerveja, de acordo com dados da Nielsen. A melhor opção, na visão de analistas, seria um acordo com a Coca-Cola, que distribui as cervejas da Heineken, mas cujo contrato vence em 2022. Procurada, a Coca-Cola afirmou que não negocia acordo com a Cerpa.

Azevedo disse que a Cerpa não procura um sócio no momento. “Não está nos planos da família vender o controle da Cerpa”, disse o executivo. Por ter uma participação de mercado relevante na região Norte, a Cerpa já sondada no passado por empresas como Ambev, Grupo Petrópolis, Heineken e fundos Tarpon, Pátria e Advent.

Mas problemas na Justiça por questões tributárias e disputas entre familiares afastaram possíveis interessados. Em 2008, seu fundador foi para a Alemanha para um tratamento de saúde, e morreu lá em 2012. Em seu testamento, determinou que seu filho e único herdeiro, Konrad Franz Seibel, só poderia comandar a empresa após completar 24 anos ou terminar a faculdade de Economia, que cursava em Londres. Sua mãe, Helga Jutta Seibel, conseguiu na Justiça em 2008 autorização para tocar a Cerpa enquanto o filho não cumprisse os pré-requisitos previstos no testamento.

Além disso, a cervejaria enfrentou por anos acusação de cometer crimes tributários. De acordo com a Secretaria da Fazenda do Pará, a Cerpa é uma das maiores devedoras de impostos do Estado, acumulando uma dívida fiscal da ordem de R$ 2 bilhões. Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e

 

apreensão na sede da cervejaria. De acordo com a Polícia, foram apreendidos documentos que serão usados na apuração de possíveis irregularidades fiscais na empresa.

Em nota divulgada à época, a Cerpa afirmou que desde setembro de 2014, recolhe mensalmente 4% do seu faturamento bruto ao Estado do Pará, para fins de amortização de supostas dívidas. Em março deste ano, o Tribunal de Justiça do Pará absolveu a diretoria da Cerpa S/A pela acusação de crimes de ordem tributária.

Azevedo disse que a Cerpa não tem irregularidade fiscais. “A empresa possui algumas dívidas com bancos, que estão sendo tratadas de forma adequada, sem atrasos”, afirmou o executivo.

Azevedo acrescentou que a Cerpa começou a fazer algumas mudanças na parte comercial, para melhorar a sua rentabilidade. A empresa migrou parte da produção de cerveja em garrafa para o envase em lata, para atender a demanda maior em supermercados e hipermercados durante a pandemia de covid-19. A cerveja em garrafa é consumida principalmente em bares e restaurantes, que ficaram fechados nos últimos meses. A Cerpa fortaleceu parcerias com varejistas como Atacadão e com o Grupo Mateus, que opera no Norte e Nordeste. A empresa também negocia acordos de distribuição com redes do Sudeste. “A marca Cerpa é reconhecida no mercado, pode ter uma penetração maior no mercado brasileiro”, disse Azevedo.

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